15 de maio de 2007

Herman fala à TV7Dias sobre o Hora H


Sem "medo de caminhar em direcção ao gosto popular", Herman José achou por bem, ou seja, por causa das audiências, apostar mais na actualidade:"Uma das minhas preocupações era não estarmos muito colados aos Gato, que vivem praticamente disso, mas a verdade é que as pessoas esperam dos programas de humor actualidade." Isso reflecte-se nas cantigas e nos quadros da Chica Pardoca. "Não me importo de caminhar em direcção ao gosto popular, mas não o quero descaracterizar por causa das audiências", assegura o humorista, que, gostava de ter mais jovens a vê-lo. Para isso acontecer, nada melhor do que um horário menos tardio:"Talvez tivéssemos uma maior base de jovens. Se não corresse bem, voltaríamos humildemente para este horário", preconiza. As gravações, essas, correm a bom ritmo:"só começa a ser complicado ser original a partir do programa 30"

4 comentários:

LMFM disse...

O problema dos Gato Fedorento neste momento é abusar da actualidade. Os sketches são colagens de assuntos do momento e o programa vive muito de gozar com momentos deprimentes de programas do passado. Ora, é aqui que o Hora H consegue ser inovador, pois é actual e ao mesmo tempo é original. São vários os momentos do Hora H que ficam na memória, com sketches fantásticos, nestes últimos episódios. O mesmo já não se pode dizer dos gatos, que se afastaram muito do excelente trabalho que fizeram na SIC radical.

João Pascoal disse...

O Herman e os Gatos têm abordagens diferentes, eu vejo o Herman como um actor e os Gato infelizmente não o são. Daí terem que retratar a actualidade para causar impacto (e fazem-no brilhantemente!) pois nunca conseguiriam construir e estabelecer uma personagem de ficção. São óptimos no que fazem mas acho um trabalho mais "fácil" do que aquele que o Herman faz neste momento.

Pessoalmente acho que fazem um humor mais descartável, com sketches que facilmente ficam datados. Têm o valor de um hamburger Mcdonalds: sabe bem no momento mas não é nada de especial.

O Herman desenvolve um trabalho muito mais criativo e intemporal. Acho mto mais interessante como apenas pontua o Hora H com as canções/comentários da actualidade, deixando espaço para que paralelamente se construa um programa de ficção.

Repare-se em dois sketches do Hora H que, quanto a mim ficam para a história e são muito atentos ao tempo em que o programa foi criado: o sketch dos bloggers anónimos e o sketch do pedopsquiatra Eduardo Sabe. O dos bloggers é fácil de compreender que retrata um fenómeno actual e vai ficar como espelho do emergir dessa mesma realidade. O outro pega numa personagem actual da tv mas nao fica dependente dela para que o sketch funcione (eu confesso que nem sabia kem era o Eduardo Sá e rebolei a rir com o sketch).
Seria mais fácil ir aos arquivos da RTP retirar um programa dos anos 80 e gozar com as roupas ou a própria linguagem televisiva da época.

Mas, no entanto, dou-me por muito feliz por viver num país onde temos o Herman e os Gato. É que um país sem pessoas a trabalhar em humor inteligente será sempre uma desculpa esfarrapada para uma democracia cinzenta e rezingona.

LMFM disse...

É verdade João. Aliás, na fase SIC Radical dos gatos notava-se muito a influência do Herman/Monty no trabalho deles. Esta mudança para o "Diz que é uma espécie de Magazine" parece ser uma tentativa de agradar as audiências, recorrendo a acontecimentos da actualidade para isso. O Hora H consegue conciliar este factor e ao mesmo tempo ser original.

João Pascoal disse...

Epá, só agora é que reparei que tinha escrito um testamento!

:D